Chegamos enfim, ao final de nossa abordagem sobre o Princípio Regulador do Culto. Gostaria de aqui trazer alguns outros pontos tão pertinentes quanto a outras posições já posta em relevo.
Charles Spurgeon um dos maiores pregadores que os séculos já pôde conhecer diz algo de extrema importância quanto ao assunto exposto. Ele que alertou os líderes de sua época tão turbada de influência pagã, advertiu quanto aqueles que em vez de alimentar as ovelhas estavam entretecendo os bodes. Criou um tratado intitulado Feeding Sheep or Amusing Goats ( Alimentando Ovelhas ou Entretendo Bodes ). Sobre isto ele diz algo sobre o culto solene a Deus. Escreveu Spurgeon:
" O diabo tem raramente feito alguma coisa sagaz do que sugerir à Igreja que parte da sua missão consiste em proporcionar entretenimento ao povo, com vistas a ganhá-lo...Em nenhum lugar nas Escrituras é dito que prover divertimento para as pessoas é função da Igreja. Se isso fosse função da Igreja, por que Cristo não falou sobre isso?..."ele concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres" para a obra do ministério. Onde se incluem os que entretêm pessoas?...Se Cristo tivesse introduzido mais elementos festivos e agradáveis à Sua missão, Ele teria sido mais popular, quando as pessoas se afastavam dEle por causa da natureza perscrutadora e penetrante do Seu ensino. Mas eu não O ouço dizendo: " Corre atrás destas pessoas, Pedro, e diga a elas que teremos um estilo de culto diferente amanhã, algo mais breve e atrativo, com pouca pregação..." Jesus se compadecia dos pecadores, preocupava-Se e chorava por eles, mas nunca procurou diverti-los."
Princípio Bíblico
Diz, que a despeito de o Princípio Regulador estar em perfeita harmonia com as doutrinas reformadas com respeito as Escrituras, do homem e dos atributos de Deus, os reformadores e puritanos, consideravam o Princípio Regulador do Culto a vista de uma razão maior: Eles entendiam que Deus mesmo revela este princípio em Sua Palavra. Tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamentos. E por tanto, condena as invenções humanas relacionadas ao culto, proíbem adições ou diminuições ao culto divinamente prescrito, considerando vãs quaisquer formas de adoração provenientes de mera tradição humana.
Afirmam os reformadores e puritanos ser esta uma posição bíblica a partir de referências como: " Agora pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis e possuais a terra que o Senhor, Deus de vossos pais, vos deu. nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando." [ Dt. 4:1,2 ].
Apesar desta referência não se tratar diretamente com respeito ao culto, é evidente que aqui inclui o culto público.
Uma outra referência clássica em defesa a este princípio está no mesmo livro capítulos mais a cima: " Tudo o que eu te ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás nem diminuirás." [ Dt. 12:32 ]. Versículo que diz justamente sobre o culto. Conclusão de um capitulo que se trata justamente sobre o culto público.
Temos de igual modo nos evangelhos e nas cartas pastorais sobre a afirmação de que há sim um princípio divino quanto a forma e ao modo de como se cultuar o verdadeiro Deus.
O Senhor Jesus nos diz em um de Seus Evangelhos: " Bem profetizou Isaías, a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrina de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição." [ Mc.7:6-9 ].
Um segundo texto também de total consideração é o Capítulo de Colossenses 2. Quando Paulo, o Apóstolo, exorta a que os crentes não se deixassem persuadir a práticas observando costumes litúrgicos da Antiga Aliança, o que era sombra do culto neo-testamentário, condenadas entre outras coisas, o que as Escrituras chama de Culto de sim mesmo. O Culto da vontade. Vejamos o que diz Colossenses 2:16,17-20,23.
" Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sobra das coisas que haviam de vir...Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como Culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade ( pecado )".
Sobre o culto da vontade os reformadores que é justamente quando os homens adiciona algo que tem aparência de sabedoria humana, sendo mais palatáveis a natureza pervertida do homem em vez de submeterem a Vontade de Deus revelada nas Escrituras. Quanto a isto Calvino escreveu:
[...]" Eu não ignoro o quão difícil é persuadir o mundo de que Deus rejeita e mesmo abomina toda invenção da razão humana relacionada ao culto. A ilusão, com relação a esta questão tem diversas causas: ' Cada um acha que está certo', como expressa o antigo provérbio. Assim, os filhos das nossas próprias mentes nos deleitam; e além disso, como Paulo admite, o culto fictício frequentemente apresenta alguma aparência de sabedoria ( Cl.2:23). Como a maioria dos casos, o culto fictício tem um esplendor externo que agrada aos olhos, ele é mais agradável à nossa natureza carnal, do que apenas aquilo que Deus requer e aprova, e que tem menos ostenação...
É de se estranhar dos que são contra a esta perspectiva reformada do princípio regulador de não fazer a devida consideração de passagens como o culto de Caim, o fogo estranho de Nadabe e Abiú, o culto de Saul em Gilgal e o transporte da arca da aliança para Jerusalém. Por que Deus não Se agradou da oferta não cruenta de Caim, e agradou-se da oferta cruenta de Abel ( Gn. 4:1,6; Hb. 11:4 )? Porque Nadabe e Abiú foram consumidos por Deus ao oferecer fogo estranho quando ofereciam incenso ( Lv.4:17-20 )? Porque então o sacrifício de Saul foi condenado por Deus? Por que deu tudo errado quando Davi tentou levar a arca para Jerusalém num carro em vez pelas argolas ( 1 Cr. 13 )? Por que Uzá foi morto ao segurar a arca da aliança quando os bois tombaram em Quidom?
A resposta a todas estas repreensões na visão reformado-puritana é que todos contrariaram a lei do culto, o princípio bíblico regulador do culto, que Atribui a Deus o direito de prescrever a maneira pela qual Ele deseja ser adorado.
Com respeito a este requisito, para os reformadores e puritanos quando não se faz segundo este princípio bíblico, a desobediência torna-se um pecado de Idolatria e Superstição. Entendiam eles, que, idolatria não no sentido restrito de adoração a outros deuses ( primeiro mandamento ), mas também no sentido de adoração ao Deus verdadeiro da forma errada ( segundo mandamento ).
Uma última observação a ser feita é quanto Elementos e Circunstância de Culto. Importante análise a ser considerada aqui. Pois na concepção reformado-puritana do princípio regulador do culto, diz respeito à distinção entre elementos ou ordenanças de culto circunstanciais de culto.
Os elementos de culto são práticas específicas, prescritas ( direta ou necessariamente inferidas ) das Escrituras e válidas para toda a dispensação do evangelho ( da graça ), em qualquer lugar ou circunstância. Alguns desses elementos são comuns; isto é, fazem parte regularmente do culto. A posição reformada quanto ao culto reconhece conter apenas no culto público: Leitura bíblica, a pregação da Palavra, a reverente a atenção a ela, a oração, o cantar o louvor ( salmos ), e as ordenanças dignas do sacramentos, batismo e santa ceia. Outros elementos são ocasionas ( não regulares ) de culto são eles: os " juramentos religiosos, votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais."
As circunstâncias de culto, são todas as demais coisas, de caráter não religioso, mas necessárias a realização do culto. Estas coisas não são fixas, não fazem parte do culto em si, não sendo portanto especificamente prescritas nas Escrituras. Contudo, deve ser à luz das Escrituras da revelação geral, do bom senso cristão, de conformidade com os princípios gerais das Escrituras. Assim, a Confissão de Fé Wstminster diz em seu capítulo I, em seu parágrafo IV : " [...] há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e o governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras da Palavra, que sempre devem ser observadas."
Concluindo este levantamento sobre o Princípio Regulador do Culto, onde até aqui, de maneira interpretativa ao escopo do assunto explanando, diz o Dr. Pastor Paulo Anglada:
" Reconheço que professar e praticar o princípio regulador puritano não significa dirimir ( tirar o valor de ) todas as questões relacionadas ao culto. Mesmo os puritanos não foram unânimes em algumas questões concernentes ao cântico de hinos no culto público e ao uso de orações litúrgicas ( previamente compostas ).
A convicção da legitimidade do princípio regulador do culto reformado também não implica necessariamente em um rompimento imediato e abrupto com toda e qualquer prática que, na nossa interpretação, não tenha fundamentação bíblica. A prudência nos recomenda que em questões tão disputadas como estas, tenhamos o cuidado de avaliar extensamente as nossas interpretações - e a teologia e a prática reformada são excelentes referências nesta avaliação.
E ainda que tenhamos a plena convicção da ilegitimidade de práticas litúrgicas menos relevantes ou geralmente estabelecidas, convém uma palavra de prudência e paciência, para não virmos a comprometer questões maiores. Calvino, por exemplo, não concordava de modo algum com o dia santo do natal. Mas preferiu adiar esta reforma em Genebra, para não impedir o curso da Reforma. John Knox rejeitava a imposição anglicana do ato de ajoelhar-se para receber o pão e o vinho na Ceia do Senhor, mas aconselhou sua congregação em Berwick a tolerar a prática. E o puritano Thomas Cartwright, embora se opusesse ao usos de vestes clericais, considerou melhor usá-las do que ser obrigado a abandonar a sua vocação."
Em fim, chegamos ao final, e aqui dizermos ainda como conclusão última deste assunto, que, a glória e a beleza do culto na nova dispensação não está em coisas externas como, o templo, sua decoração, nos ritos, nos símbolos, nas luzes, nos corais, na pompa, nas cerimônias, nos instrumentos musicais, ou em quaisquer coisa do gênero. Mas, está sim, na sua simplicidade, na sua natureza espiritual, na santidade do adorador, na conformação do culto à verdade revelada nas Escrituras, na realidade do acesso do crente à presença de Deus pela intermediação de Cristo e a ação do Espírito Santo.
E aqui fica a Palavra de Deus que se encontra em Romanos 12:1,2. Feitas nas palavras do citado autor desse livro. Dr. Paulo Anglada.
" Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional ( lógico, razoável ). E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação das vossas mentes, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
Biografia : O Princípio Regula dor no Culto - Pgs. 22-42 Paulo Anglada é Pastor da Igreja Presbiteriana Central do Pará, professor de grego e hermenêutica do Seminário Teológico Batista Equatorial e presidente da ARPAV - Associação Reformada Palavra da Verdade, na cidade de Belém.