Os Atributos de Deus em Geral
A. Avaliação dos Atributos Empregados.
B. Métodos de Determinação dos Atributos de Deus.
C. Sugestões Feitas Quanto às Divisões dos Atributos.
A questão da classificação dos atributos divinos tem ocupado por muito tempo a atenção dos teólogos. Várias classificações têm sido sugeridas, a maioria das quais distingue duas classes gerais. Classes estas que são designadas por diferentes nomes, nos quais representam diferentes pontos de vista, contudo, substancialmente são as mesmas, nas diversas classificações. Destacaremos aqui as mais importantes:
1. Alguns falam de atributos naturais e atributos morais. Os primeiros, como auto-existência, simplicidade, infinidade, etc., pertencendo a natureza constitutiva de Deus, de modo distinto de Sua vontade. Os últimos, como verdade, bondade, misericórdia, justiça, santidade, etc., qualificando-o como o Ser moral. A objeção a essa classificação é que os atributos morais, assim chamados, são tão verdadeiramente naturais (isto é, originais) em Deus como os demais. Temos enfim, a posição do Sr. Dabney, optando tratar deste assunto como atributos morais e não morais. Evitando maiores objeções aos termos empregados.
2. Outros distinguem entre atributos absolutos e relativos. Os primeiros pertencendo à essência de Deus, considerada em si mesma, ao passo que os últimos pertencem a essência divina, considerada em relação à Sua criação. A primeira classe inclui atributos como auto-existência, imensidade e eternidade; quando a outra, atributos como onipresença e onisciência. Segundo Louis Berkhof, esta divisão parece partir do pressuposto de podemos ter algum conhecimento de Deus como Ele é em Si mesmo, inteiramente à parte das relações que mantém com as Suas criaturas. Contudo, continua ele, isto não é assim, portanto, falando com propriedade, todas as perfeições de Deus são relativas, indicando o que Ele é em relação ao mundo. Evidentemente Strong não reconhece a objeção e dá preferência a esta divisão.
3. Ainda outros dividem as perfeições divinas em atributos imanentes ou intransitivos e emanentes ou transitivos. Strong combina esta divisão com a anterior quando fala de atributos absolutos ou imanentes e relativos ou transitivos. Os primeiros são aqueles que não se expõem nem operam fora da essência divina, mas permanecem imanentes, como imensidade, simplicidade, eternidade, etc.; e os últimos são os que se opõem e produzem efeitos externos quanto a Deus, como onipotência, benignidade, justiça, etc. Mas se alguns dos atributos divinos fossem puramente imanentes, todo conhecimento deles estaria excluído, ao que parece. H.B Smith observa que cada um deles deve ser ao mesmo tempo imanente e transitivo.
4. A distinção mais comum é entre atributos incomunicáveis e comunicáveis. Os primeiros são aqueles aos quais nada análogo existe na criatura, como asseidade, simplicidade, imensidade, etc.; os últimos, aqueles com os quais as propriedades do espírito humano têm alguma analogia, como poder, bondade, misericórdia, retidão, etc. Esta distinção não achou nenhum favor da parte dos luteranos, mas sempre foi popular nos círculos calvinistas, e se encontra em obras representativas como as dos professores de Leyden, Mastricht e Turretino.
Com respeito a este ponto diz-se que, não se encontrou sustentação, a vista de se afirmar que, de certo ponto de vista, todos os atributos podem ser denominados comunicáveis. Nenhuma perfeição, diz L. Berkhof, é comunicável, na infinita perfeição em que estas existem em Deus e, ao mesmo tempo, há no homem tênues vestígios até mesmo dos chamados atributos incomunicáveis de Deus.
Entre os teólogos reformados mais recentes há uma tendência para descartar-se desta distinção em favor de algumas outras divisões. Dick, Shedd e Vos mantêm a velha divisão. Kuyper se expressa como estando insatisfeito com ela e, apesar disso, a reproduz em sua proposta, virtutes per antithesin e vitutes syntesin; Finalmente, os Hodge, H.B. Smith e Thornwell seguem uma divisão sugerida pelo Catecismo de Westminister (presbiteriano).
Enfim, como pode-se notar, as várias ordens de classificação quanto aos atributos de Deus, há uma simetria com certas objeções em cada uma delas, defendendo todas como um Ser absoluto, e depois como um Deus que se permite se relacionar com Suas criaturas, Deus como o Ser pessoal. Não entendendo esta colocação como um fato a ser considerado do ponto de vista que, resulta numa concepção unitária e harmoniosa dos atributos divinos. Aplainando esta dificuldade entendendo, partindo do princípio as classes dos atributos pertencentes a primeira, qualificam a segunda, de sorte que, pode-se dizer que Deus é Único, Absoluto, Imutável e Infinito em Seu conhecimento e sabedoria, e Sua bondade e amor, em Sua graça e misericórdia, em Sua Justiça e Santidade. O que, mesmo com esta ideia em mente, não deve-se aqui pensar que apesar desta realidade dos atributos de Deus, como sendo incomunicáveis neste aspecto absoluto, não possa o homem possuir algum sinal nele. De afirmar que os atributos comunicáveis de Deus estão no homem da mesma forma em Deus, isto não. Tendo em vista a melhor das respostas a este assunto, a posição reformada, de que se admite a possibilidade de no homem ter algo de Deus, contudo, não como permanece em Deus.

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