Na abordagem passada deixamos claro que, segundo o estudo proposto pelo nosso irmão Pr. Paulo Anglada, sobre o Princípio Regulador do Culto, é de suma importância, e relevante; entendo tal princípio advindo de homens comprometidos com a verdade, e, que estavam completamente preocupado com o que realmente glorificava a Deus, a despeito de tantas desordens de cunho teológicos da época em que viveram. Definiu-se então que, o Princípio Regulador do Culto é exatamente aquilo que a Bíblia ordena qual deve ser a forma de adoração pública. Apresentou-se aqui as evidências históricas dos reformadores, como a visão do grande reformador francês João Calvino, John Knox e a visão Belga quanto ao Princípio Regulador. Apresentaremos aqui para finalizar este primeiro momento a visão dos puritanos e dos presbiterianos quanto a este assunto que para tantos torna-se polêmica e uma lástima teológica, quando aderem parte de sua história como "reformador". Deus ajude nossas igrejas de todo o Brasil para este princípio que deveria nortear todas as igrejas reformadas do Brasil. Então vejamos o que dizem os puritanos sobre o assunto.
Dezenas de teólogos e pastores puritanos escoceses e ingleses dos mais expressivos no séc. XVII, tais como - Thomas Cartwright (1535-1603), ministro não conformista inglês; Willam Ames ( 1576-1633), professor de teologia não conformista exilado para a Holanda; David Caldwood (575-1650?), ministros e teólogos da Igreja da Escócia, e outros - escreveram tratados e outros tipos de escritos defendendo e aplicando o princípio regulador do culto, condenando a imposição de cerimônias, festividades e religiosas, gestos e símbolos não fundamentados nas Escrituras. Segue então as posições puritanas de modo representativo sobre o assunto:
George Gillespie (1613-1649), um dos ministros representantes da Escócia na Assembléia de Westminster, escreveu, em 1637, um tratado contra a imposição de cerimônias religiosas. Eis seu pequeno trecho:
" A igreja é proíbida de acrescentar qualquer coisa aos mandamentos que Deus nos deu, concernentes ao Seu culto e serviço, [Dt.4:3;12:32;Pv.30:6] por conseguinte, ela não pode prescrever coisa alguma relacionada à prática do culto divino, que ultrapasse mera circunstância: tudo é incluído naquele tipo de coisas que não são tratadas nas Escrituras...A Igreja Cristã não tem maior liberdade para acrescentar (coisas) ao mandamento de Deus do que tiveram os judeus; pois o segundo mandamento é moral e perpétuo, e nos proíbe, bem como a eles, as adições e invenções humanas no culto de Deus ".
John Owen (1616-1683), um dos mais capazes, respeitados e conhecidos puritanos, de igual modo escreve um tratado combatendo a imposição litúrgica. Um pequeno trecho se nos é apresentado, parte de um de seus livros:
..." a invenção arbitrária de qualquer coisa imposta como necessária e indispensável no culto público a coisa assim inventada e ordenada no culto é ilegal e contrária à regra da Palavra...Portanto, todo o dever da Igreja com relação ao culto a Deus, parece consistir na precisa observação daquilo que é prescrito e ordenado por Ele (Deus)".
Jeremiah Burroughs (1599-1646), puritano independente e membro da Assembléia de Westminster, escreveu em 1648 um tratado cerca de 400 páginas sobre o culto evangélico. Burroughs começa sua obra, argumentando, com base no relato bíblico sobre o fogo estranho oferecido por Nadabe e Abiú, "...que no culto a Deus não pode haver nada apresentado a Deus, que Ele não tenha ordenado; o que quer que pratiquemos no culto a Deus, deve ter fundamentação proveniente da Palavra de Deus ".
Notemos por fim, a visão dos presbiterianos quanto ao assunto sobre o Princípio Regulador do Culto.
Historicamente, não é de se estranhar que o ramo presbiteriano foi quem mais contribuíram para a reforma litúrgica. A herança reformada, calvinista, escocesa e puritana legada aos presbiterianos tornou-os particularmente empenhados na purificação do culto. Alexander Hodge, conhecido professor de teologia do Seminário de Princeton, no século passado, no seu comentário sobre a Confissão de Fé de Westminster, com relação ao capitulo XXI, parágrafo I, escreveu:
" Nós já vimos, ao comentar o capítulo primeiro, que Deus nos deu as Escrituras como uma regra de fé e prática...Isso implica necessariamente que, visto que Deus prescreveu o modo como nós devemos cultuá-lO e serví-lO de modo aceitável, é uma ofensa para Ele e pecado de nossa parte, tanto negligenciar o modo por Ele estabelecido, como preferir praticar o nosso próprio modo de culto...visto que a natureza moral do homem é depravada, seus instintos religiosos, e suas relações com Deus invertidas pelo pecado, é auto-evidente que uma revelação positiva e explícita é necessária, não apenas para dizer ao homem que Deus admite ser cultuado, mas também para prescrever os princípios com base nos quais, e os métodos pelos quais este culto e serviço deverão ser prestados. Como já foi antes demonstrado a partir das Escrituras...toda maneira de culto da vontade, de atos e formas auto-escolhidas de culto são abominação diante de Deus."
Uma vez que, como presbiterianos, não temos a necessidade de buscar exemplos pessoais favoráveis ao princípio regulador puritano, visto que nossos próprios símbolos de fé professam claramente o princípio de culto que temos discorrido.
A Confissão de Fé de Westminster afirma no capítulo referente ao culto (XXI), que:
...o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo, e é tão limitado pela Sua própria vontade revelada, que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de satanás, nem sob qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras."
A vista do que escrevemos até aqui, como você encararia o culto de sua igreja? Ele seria genuinamente reformado? Poderia dizer você que o culto o qual você presta no culto no dia do Senhor é um culto que é Segundo as Escrituras? O Culto de sua igreja é segundo o Princípio Regulador? Oxalá, que seja conforme as Escrituras.
Em uma outra oportunidade estaremos aqui continuando outros aspectos do Culto Segundo As Escrituras proferido pelo consagrado pastor Paulo Anglada.

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