quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O Princípio Regulador no Culto - Adoração Que É De Acordo Com As Escrituras - Parte III




   Que é fato que os reformadores e puritanos atribuíram ao culto ( e à sua forma ), coisa de extrema importância na adoração a Deus, disto não pode restar dúvidas. Agora como, que, com o passar dos anos, dos séculos esta prática foi caindo em desuso ao ponto de hoje inúmeras igrejas ditas reformadas perderam parte desta prática? Já que são igrejas históricas, porque não continuar imitando a fé daqueles que foram usados por Deus em defender a ordem e a decência espiritual da adoração a Deus no culto público? Vejamos enfim as duas considerações que os reformadores e os puritanos sustentavam para pensar desta maneira. Vejamos então o que nos diz o Pr. Paulo Anglada coloca as claras estas considerações.

Os Exemplos Históricos das Religiões

   Quando olhamos a história das religiões demonstra que toda vez que os homens se arrogaram ou se arrogam o direito de conceber formas de adoração a Deus, os maiores absurdos acontecem. Prostitutas cultuais, luxúria, sacrifícios humanos, auto-flagelação, adoração da própria natureza, culto a demônios e a espíritos imundos, são alguns exemplos, diz o pastor P.A.

   A igreja católica romana não foge a regra. Uma infinidade de crenças e práticas litúrgicas foram incorporadas a ela no decorrer dos séculos. A Reforma Protestante ocorreu numa igreja repleta de adições espúrias ao culto: missa aos mortos (missa do sétimo dia), a própria missa (um sacrifício não cruento), confessionário, sete sacramentos, celibato, indulgências, penitências, rezar terços, sinal da cruz, uso do latim na missa, imagens, rosários, crucifixos, representações, velas, vestes sacras, músicas sacras, livros de oração, dias santos, etc.

A Diversidade Novos Elementos nos Cultos Evangélicos Modernos

   Este ponto foi o que levou o Rev. Paulo Anglada a considerar o assunto com seriedade. Diz ele: " As práticas de culto do movimento evangélico moderno. Uma parafernália litúrgica tem sido introduzida no culto evangélico no último século: orações em conjunto (em voz alta), grupos de oração no mesmo culto. Na área da música: todo tipo de instrumentos, ritmo e linguagem, corais, conjuntos, bandas, solos, duetos, quartetos, cânticos responsivos ( homens/mulheres; um fila/outra), dirigentes, regentes e ministros de música, palmas etc. Há também testemunhos pessoais; recitações de poemas e versos por adultos e crianças, palmas para Jesus, cumprimentos no culto (às pessoas ao lado), apelos, danças, línguas, cânticos em línguas, curas, emprego de luzes coloridas, cultos jovens, cultos apenas musicados, representações teatrais, gargalhadas sagradas, quedas, urros, etc. "

O Contraste com o Culto Simples Reformado e Puritano

   Diga-se afirmadamente, que, os reformadores aboliram toda parafernália do culto católico-romano, enquanto os puritanos fizeram o mesmo com o culto anglicano. Ambos instituíram uma forma de culto extremamente simples, colocando de lado a pompa, esplendor, vestes, adereços, procissões, cerimônias, livros de oração, representações, símbolos, gestos, etc. Cabe dizer, que os cultos reformados e puritanos consistia simplesmente de leitura bíblica, pregação, oração, cântico dos Salmos (sem nenhum instrumentos), ministração dos dois sacramentos por Jesus (batismo e santa ceia) e a bênção apostólica. O púlpito toma lugar central no templo.

   Estaremos mais a frente redigindo aqui o que explica esta uniformidade e simplicidade do culto reformado-puritano? O que levou eles a execrarem a parafernália litúrgica romana e anglicana? O que norteou-os a profunda reforma litúrgica empreenderam? A fim de elaborarem um documento de nome Princípio Regulador Puritano. O que, será mostrado que a priore este termo "puritano" não melhor empregando do que "reformado", por se tratar de reformadores em sua copilação.

    Estaremos numa próxima oportunidade abordando o que vem a ser a definição deste termo, " Princípio Regulador Puritano ".


Biografia : O Princípio Regula dor no Culto - Pgs. 7 a 10 - Paulo Anglada é Pastor da Igreja Presbiteriana Central do Pará, professor de grego e hermenêutica do Seminário Teológico Batista Equatorial e presidente da ARPAV - Associação Reformada Palavra da Verdade, na cidade de Belém.




   





   

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O Princípio Regulador no Culto - Adoração Que É De Acordo Com As Escrituras - Parte II



   No estudo passado notamos como o pastor Paulo Anglada abordou o aspecto do Princípio Regulador no Culto Reformado. Com maestria desenvolveu seu e desenvolve seu argumento em sima da conversa de Jesus com a mulher samaritana. E faz desse texto a base de toda a sua argumentação fracionando cada parte dela. O que vem a ser " em espírito " e o que vem a ser " em verdade ". Faço valer aqui parte dessa conversa do Senhor Jesus com a Samaritana, uma vez que, para o pr. Paulo Anglada considerou o aspecto interno do adorador, como em " em espírito ", estando o mesmo num estado que podemos chamar de pureza espiritual, santidade, sinceridade, justiça, em contra partida da forma hipócrita de adoração dos fariseus quando censurados pelo Senhor Jesus pela falsidade de culto. Ao que, de pronto, nos trouxe a questão de se adorar " em verdade ". Apontando para a importância que o Senhor Jesus dá a forma, a maneira da adoração a Deus. Mostrando que tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamentos a forma não estava descartada. Que a forma tem a sua importância sim no aspecto do culto público no dia do Senhor. Faremos agora outras observações quanto a este assunto de extrema importância para o povo de Deus.

   A compreensão da visão reformada quanto este assunto é dinga de nota, uma vez que hoje encontramos em muitas de nossas igrejas uma adoração distante dos princípios de nossos pais reformadores. Se não, vejamos o que João Calvino disse com respeito ao assunto. " listara dois elementos que definiam o Cristianismo sendo sua suma substância. Estes dois elementos primeiro: um conhecimento de qual  é a maneira certa de se adorar a Deus; o segundo é a fonte de emana a salvação ".

    W. Robert Godfrey diz que Calvino de forma enfática que a adoração está a frente da salvação em sua lista dos dois elementos mais importantes do Cristianismo bíblico. Diz ainda ele que, Calvino define o lugar da adoração como nenhum dos seus predecessores tinha feito (...). A adoração diz Calvino, "dever ser interesse central de todo o cristão. Que não é uma questão periférica, mas a "SUBSTÂNCIA ÚLTIMA" da fé cristã."  Sendo esta uma expressão para uns a expressão que caracteriza o cristianismo.

   Dissemos na abordagem passada que tomaríamos de onde paramos. E aqui trataremos de elucidar sobre a Relevância Do Assunto.

   Afirma o Pr. Paulo Anglada que, a forma de culto, sem dúvida, é um assunto da maior relevância. Diz ele que, duas questões foram de suma importância na Reforma Protestante do século XVI: o culto e a doutrina da salvação ( e nesta ordem ). Calvino, diz ele, apresenta dois principais males da época, afirmando ele em um de seus tratados sobre a necessidade de reforma na igreja, escrito em 1543: "...primeiro, o modo como Deus é cultuado devidamente; e, segundo, a fonte da qual a salvação pode ser obtida. Quando se perde de vista estas coisas, embora possamos nos gloriar no nome de cristãos, nossa profissão de fé é vazia e vã."

   Tem-se reconhecido, segundo a abordagem do pastor P.A, que, durante os primeiros anos da Reforma Protestante em Genebra, o " foco de atenção não foi a questão da justificação, e sim a questão da missa e das imagens, e todos os abusos relacionados a ela". De fato, continua ele, o foco principal dos reformadores, tais como Zwínglio, Bullinger ( sucessor de Zwínglio em Zurique ), Bucer ( em Strasburgo ), Farel e Calvino foi a purificação das superstições e idolatria medieval. Ainda coloca a posição de um dos reformadores de nome Iain Murray, diz ele: " A questão do culto esteve no centro da revolução espiritual e nacional que marcou a Reforma do século XVI. Mátires escoceses foram para a estaca por se recusarem a obedecer à forma de culto imposta pela igreja católica romana. Pela mesma razão, cerca de 288 homens e mulheres foram queimados na Inglaterra entre os anos de 1555 e 1558. Depois, quando a doutrina na Inglaterra e na Escócia em 1560, um conflito continuou nos dois países para purificar o culto público das práticas e cerimônias pré-reformadas. Ministros evangélicos foram silenciados, banidos e mesmo executados por protestarem contra corrupção no culto. A emigração dos Pais Peregrinos e dos Puritanos para a Nova Inglaterra estava essencialmente ligada à mesma questão. "O principal propósito desta nova plantação", escreveu Cotton Mather, "era estabelecer e desfrutar das ordenanças do evangelho e cultuar o Senhor Jesus Cristo de acordo com Suas próprias instituições."

   Matthew Henry resumiu bem a importância do culto na fé reformad0-puritano, quando ele mesmo disse: " Religião é toda a razão de nossa vida, e o culto a Deus a razão de nossa religião."

   Até aqui, notamos o quanto a forma do culto na visão reformada puritana é de extrema importância. E esta conduta reverente quanto ao modo de cultuar a Deus, é melhor compreendida quando consideramos dois pontos fundamentais: Os Exemplos Históricos das Religiões e O Contraste Com o Culto Simples Reformado e Puritano.

   Estes dois aspectos abordaremos em uma outra ocasião se assim o nosso Deus permitir. No mais, desejo que fique claro aqui, que o leitor tire suas próprias considerações quanto a compreensão do modo, forma e maneira de se cultuar verdadeiramente a Deus.


Biografia : O Princípio Regula dor no Culto - Pgs. 1 a 8 - Paulo Anglada é Pastor da Igreja Presbiteriana Central do Pará, professor de grego e hermenêutica do Seminário Teológico Batista Equatorial e presidente da ARPAV - Associação Reformada Palavra da Verdade, na cidade de Belém.

    


   


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Princípio Regulador no Culto - Adoração Que É De Acordo Com As Escrituras - Parte I





   O intuito desta presente abordagem é para nos trazer de forma clara alguns aspectos dos quais a muito que se perderam com o passar dos anos. Farei considerações a vista da abordagem do livro que é Tema do nosso Assunto sobre Adoração De Acordo Com As Escrituras. Trazendo ao leitor o que vem a ser o Princípio Regulador do Culto e as Suas implicações quanto ao assunto adoração.

   A resposta sobre o assunto adoração, é tema para uma discussão aberta e justa. Porquanto já diz Terry L. Jonhson que, " Adoração é um assunto que todo cristão deveria se preocupar em saber o que significa. "

   Faremos aqui as considerações sobre o assunto pautado em um estudo proferido em uma das palestras do Pr. Paulo Anglada em um dos Congressos, Os Puritanos, em 1997, em águas de Lindória. Tendo como texto básico João 4.19-24 " Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade." 

    De modo não aprofundado, porém, com o devido cuidado fazemos a seguinte pergunta: O Que Vem A Ser o Princípio Regulador Reformado? E qual a implicação de não se fazer a devida observação quanto a este princípio.

   Trago aqui a ilustração do Pr. Paulo Anglada, introduzindo o assunto sobre adoração, diz ele: " O que pensaria os irmãos se durante um culto evangélico o pastor fizesse o sinal da cruz, queimasse incensos para que o ambiente ficasse perfumando, e levasse os pés de alguns irmãos como demonstração de humildade? O que pensariam, se fosse convidados a absterem-se de comer carne na semana chamada "a semana santa", se o pão (melhor, hóstia) fosse distribuído por ocasião da Ceia do Senhor, e lhes fosse requerido que se ajoelhassem para poderem participar dela? Com razão os irmãos condenariam estas atitudes. Por quê? Porque não são bíblicas. As Escrituras não ensinam a fazer o sinal da cruz, a queimar incenso (no culto da nova aliança), jamais instituíram a atitude humilde de Jesus como cerimônia eclesiástica, não requerem nenhuma abstenção de alimentos no Novo Testamento (muito menos na semana santa", que sinal jamis foi instituída como cerimônia religiosa), não requerem que fiquemos de joelhos ao participar da Ceia do Senhor, etc. Tudo isto não passa de tradicionalismo católico-romano, de símbolos, gestos, cerimônias, e práticas eclesiásticas inventadas pelo homem, sem real fundamentação bíblica."

   O assunto da abordagem está relacionado com o culto. Mas especificamente com a forma do culto público, ao modo como Deus deve ser adorado. Ao abordar este assunto P. Anglada não trata o mesmo num aspecto exegético, mas, um ensaio sobre a teologia prática. O que, quando aborda o assunto revela não tratar de modo sistêmico a revelação bíblica referente ao assunto, mas, descrever a concepção reformado-puritana do princípio que deve regular a forma do culto público de Deus. Não ignorando a natureza controvertida do mesmo.

   Segundo o Pr. Paulo Anglada, não se pode dissociar o ato do culto da vida do adorador. E a isto ele nos traz o texto para iluminar sua afirmativa, quando Jesus inicia um diálogo com a mulher samaritana. " Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito..." [João 4.19-24]. O termo aqui em "espírito" aponta exatamente com a natureza interna do adorador. Que por meio de uma vida genuinamente transformada pelo Espírito de Deus, no interior deste adorador, procede uma adoração pura, sem hipocrisia como os fariseus faziam, os quais por várias vezes veio a ser repreendidos por Jesus. Ritos puramente religiosos a semelhança de um sepulcro caiado.

   Contudo, Jesus não pára por aí. Ele resalta, igualmente, a importância da forma de culto, da maneira correta de cultuar a Deus. Afirmando Ele, Jesus, que os que O adoram, devem fazê-lo " em verdade ". " Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e " em verdade ". 

    Segundo P. Anglada, Jesus está se referindo ao modo de culto, revelado ao Seu povo na Sua Palavra. O Termo " em verdade " denota, segundo a abordagem de P.A., conformação à verdade revelada de Deus. Denota submissão à Sua Palava. Aponta portanto, especialmente, para a conformação às formas externas de culto prescritas por Deus na Sua Palavra.

   Os judeus adoravam Aquele que conheciam, por que a eles haviam sido confiados os oráculos de Deus [ Rm. 3.22]. Afinal, a salvação vem dos judeus [Jo. 4.22] - embora que muitos deles faltasse com a sinceridade, ainda que viesse ficar bastante corrompido com acréscimos e negligências. Os samaritanos não tinham a forma, o modo: " vós adorais o que não conheceis ". A referência é da adoração sincretista, deturpada dos samaritanos, que manifestavam ignorância da vontade revelada de Deus com relação ao culto. 

   Conclui-se que lendo como toda a tenção as Escrituras, tanto o Velho Testamento quanto o Novo Testamentos, atribui-se grande importância quanto a forma, a maneira de se cultuar a Deus, a forma externa de culto público.

     Na próxima abordagem estaremos falando sobre a Relevância do Assunto, continuando o estudo em foco O Princípio Regulador No Culto - Adoração De Acordo Com As Escrituras.


Biografia : O Princípio Regula dor no Culto - Pgs. 1 a 8 - Paulo Anglada é Pastor da Igreja Presbiteriana Central do Pará, professor de grego e hermenêutica do Seminário Teológico Batista Equatorial e presidente da ARPAV - Associação Reformada Palavra da Verdade, na cidade de Belém.


    

    

   

    

   

  

A DOUTRINA DE DEUS - Final - Sugestões Feitas Quanto às Divisões dos Atributos.




Os Atributos de Deus em Geral

A. Avaliação dos Atributos Empregados.
B. Métodos de Determinação dos Atributos de Deus.
C. Sugestões Feitas Quanto às Divisões dos Atributos.


   A questão da classificação dos atributos divinos tem ocupado por muito tempo a atenção dos teólogos. Várias classificações têm sido sugeridas, a maioria das quais distingue duas classes gerais. Classes estas que são designadas por diferentes nomes, nos quais representam diferentes pontos de vista, contudo, substancialmente são as mesmas, nas diversas classificações. Destacaremos aqui as mais importantes:

   1. Alguns falam de atributos naturais e atributos morais. Os primeiros, como auto-existência, simplicidade, infinidade, etc., pertencendo a natureza constitutiva de Deus, de modo distinto de Sua vontade. Os últimos, como verdade, bondade, misericórdia, justiça, santidade, etc., qualificando-o como o Ser moral. A objeção a essa classificação é que os atributos morais, assim chamados, são tão verdadeiramente naturais (isto é, originais) em Deus como os demais. Temos enfim, a posição do Sr. Dabney, optando tratar deste assunto como atributos morais e não morais. Evitando maiores objeções aos termos empregados.

   2. Outros distinguem entre atributos absolutos e relativos. Os primeiros pertencendo à essência de Deus, considerada em si mesma, ao passo que os últimos pertencem a essência divina, considerada em relação à Sua criação. A primeira classe inclui atributos como auto-existência, imensidade e eternidade; quando a outra, atributos como onipresença e onisciência. Segundo Louis Berkhof, esta divisão parece partir do pressuposto de podemos ter algum conhecimento de Deus como Ele é em Si mesmo, inteiramente à parte das relações que mantém com as Suas criaturas. Contudo, continua ele, isto não é assim, portanto, falando com propriedade, todas as perfeições de Deus são relativas, indicando o que Ele é em relação ao mundo. Evidentemente Strong não reconhece a objeção e dá preferência a esta divisão.

3. Ainda outros dividem as perfeições divinas em atributos imanentes ou intransitivos e emanentes ou transitivos. Strong combina esta divisão com a anterior quando fala de atributos absolutos ou imanentes e relativos ou transitivos. Os primeiros são aqueles que não se expõem nem operam fora da essência divina, mas permanecem imanentes, como imensidade, simplicidade, eternidade, etc.; e os últimos são os que se opõem e produzem efeitos externos quanto a Deus, como onipotência, benignidade, justiça, etc. Mas se alguns dos atributos divinos fossem puramente imanentes, todo conhecimento deles estaria excluído, ao que parece. H.B Smith observa que cada um deles deve ser ao mesmo tempo imanente e transitivo.

   4. A distinção mais comum é entre atributos incomunicáveis e comunicáveis. Os primeiros são aqueles aos quais nada análogo existe na criatura, como asseidade, simplicidade, imensidade, etc.; os últimos, aqueles com os quais as propriedades do espírito humano têm alguma analogia, como poder, bondade, misericórdia, retidão, etc. Esta distinção não achou nenhum favor da parte dos luteranos, mas sempre foi popular nos círculos calvinistas, e se encontra em obras representativas como as dos professores de Leyden, Mastricht e Turretino.

     Com respeito a este ponto diz-se que, não se encontrou sustentação, a vista de se afirmar que, de certo ponto de vista, todos os atributos podem ser denominados comunicáveis. Nenhuma perfeição, diz L. Berkhof, é comunicável, na infinita perfeição em que estas existem em Deus e, ao mesmo tempo, há no homem tênues vestígios até mesmo dos chamados atributos incomunicáveis de Deus.

   Entre os teólogos reformados mais recentes há uma tendência para descartar-se desta distinção em favor de algumas outras divisões. Dick, Shedd e Vos mantêm a velha divisão. Kuyper se expressa como estando insatisfeito com ela e, apesar disso, a reproduz em sua proposta, virtutes per antithesin e vitutes syntesin; Finalmente, os Hodge, H.B. Smith e Thornwell seguem uma divisão sugerida pelo Catecismo de Westminister (presbiteriano).

   Enfim, como pode-se notar, as várias ordens de classificação quanto aos atributos de Deus, há uma simetria com certas objeções em cada uma delas, defendendo todas como um Ser absoluto, e depois como um Deus que se permite se relacionar com Suas criaturas, Deus como o Ser pessoal. Não entendendo esta colocação como um fato a ser considerado do ponto de vista que, resulta numa concepção unitária e harmoniosa dos atributos divinos. Aplainando esta dificuldade entendendo, partindo do princípio as classes dos atributos pertencentes a primeira, qualificam a segunda, de sorte que, pode-se dizer que Deus é Único, Absoluto, Imutável e Infinito em Seu conhecimento e sabedoria, e Sua bondade e amor, em Sua graça e misericórdia, em Sua Justiça e Santidade. O que, mesmo com esta ideia em mente, não deve-se aqui pensar que apesar desta realidade dos atributos de Deus, como sendo incomunicáveis neste aspecto absoluto, não possa o homem possuir algum sinal nele. De afirmar que os atributos comunicáveis de Deus estão no homem da mesma forma em Deus, isto não. Tendo em vista a melhor das respostas a este assunto, a posição reformada, de que se admite a possibilidade de no homem ter algo de Deus, contudo, não como permanece em Deus.


Biografia: Louis Berkhof - Teologia Sistemática - Os Atributos de Deus em Geral. Pgs. 57,58.









sábado, 16 de dezembro de 2017

Campos Não Habitados




" Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achava-me enfermo e preso, não fostes ver-me. " [ Mt. 25.42,43 ].


  O livro de Atos dos Apóstolos, o evangelista e discípulo do Senhor, relata-nos em palavras bem claras, de como era o Ministério de Jesus. Diz Lucas, o Apóstolo: " Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse retido por ela. " [ At. 2.22,24 ].

    Quando o Senhor nos diz de modo duro, terrível e reprovável, que existirá muitos, que por conta da infame negligência por ser indiferente a realidade que os assiste, ouvirão do Senhor um APARTAI-VOS de MIM. Que dia terrível não será para estes.

    É certo que sinais, prodígios, curas não devem ser de logo atestado uma verdadeira serventia no reino de Deus. Pois sabemos de alguns que se utilizaram destas manifestações miraculosas arrebatadoras, no intento seu destino foi a condenação, como o caso de Judas, o Escariotes. 

    Contudo, Jesus nos chama a atenção para o fato de que o serviço no reino de Deus ele é sim, de importância missiológica. A igreja, o crente coletiva e particularmente deve sim se envolver com a obra de evangelização. Deve mostrar o efeito da graça em suas vidas numa resposta e atitude positiva ao chamamento da grande comissão. 

    Notamos em fim, uma completa descaracterização de uma igreja que se diz salva, contudo morta no que diz respeito ao Campo Missionário. Não entenda em fim aqui, necessariamente o sair do país, do estado ou coisa parecida. Mas o envolver-se comprometidamente com o ide de Jesus. " Ide," Diz o Senhor. Mas, o que temos visto em sua maioria? Um retrocesso a esta ordem. Um descaso completo! A valorização de outras atividades e interesses - o que de fato não devem serem descartadas, contudo, há sim, uma morbidez quanto o despertar do ato e ação evangelística. 

    O fato da fome, da sede, da nudez, da enfermidade, da prisão e a falta do abrigo espiritual, tem sido cada vez mais esquecido pelos chamados igrejados. Não notamos o despertar por estas atividades. Como, uma igreja eleita em Cristo ignora esta ordem? " Ide!" " Ide! " " Ide! "  " Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me." [ Mt.25. 42,43 ].

   Ao profeta Isaías foi-lhe dito: " ... A quem enviarei, e quem há de ir por nós? " [ Is.6.8a ]. A resposta do profeta foi rápida! Não titubeou! Não tremeu! Mas confiou Naquele que o chamava. E se lançou de corpo alma e coração. Sua vida agora pertencia Ao Grande Emissário de sua vida. " Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim." [ Is. 6.8b ].

   E porque muitos hoje, são tardios em responder ao chamado do Senhor em ir ao Campo? Você não foi chamado por Deus? Bom, presumo que sim. Então porque titubear quanto a esta santa convocação? Enquanto os homens morrem de fome, sede, perdemos tempos em coisas fúteis. E nada fazemos para Deus em pró do resgate destes que clamam por pão e água. 

   A igreja como um todo precisa se envolver com esta ordem comissionaria de Jesus. Como o povo cristão tem perdido feio em face de movimentos pagãos, heréticos em socorrer os que jazem na sombra da morte. É momento de fiéis líderes envolver sua igreja em pró dos perdidos. Levar não só o pão material, mas, muito mais ainda oferecer o que por Deus nos foi dado gratuitamente no Amado, o Santo Evangelho, A Palavra Viva de nosso Cristo!

    Longe de nós o ouvirmos a sentença dada pelo nosso Criador e Salvador Jesus Cristo. " Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiros, não me hospedastes; estando nu, não me vestiste-me; achando-me enformo e preso, não fostes ver-me."(...) (...) " em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim deixastes  de fazer. E irão estes para o castigo  eterno, porém os justos, para a VIDA ETERNA. "  [ Mt. 25.42-44 b ].

   Os Campos Não Habitados, são os campos onde existe a ausência dos pés dos santos, dos crentes em Cristo. Com tristeza digo isto. Qual é o seu campo? Pode ser sua casa, pode ser sua escola, faculdade ou trabalho. Até mesmo uma parada rápida em algum lugar que lhe dê a oportunidade de realizar o Ide de Cristo. Não perca tempo! Invista tempo em pró das almas perdidas. Não espere que lideres lhe motive, o que muitas vezes não se ver nenhum esforço ou quase nada para o mesmo. Vá! Saia ao campo. E atue como um servo fiel pregando a Palavra de Deus. 

    Do geral ao particular, agora pra você, de um modo específico, o que tens feito no esforço evangelístico? Anime-se e não espere lideres lhe motivarem se estas não são suas maiores afeições, a salvação dos perdidos. Você só precisa obedecer a ordem do Grande Líder Jesus, " Ide!" E responda seu chamado eficazmente a semelhança do profeta Isaías. 

     Eis o anuncio do Senhor: " Não dizeis vós: ' Ainda há quatro meses até a colheita?. Eu, porém, vos afirmo: erguei os olhos e vede os campos, pois já estão brancos para a colheita." [ João 4.35 ]

M.S. De Melo.







    
    


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A DOUTRINA DE DEUS PARTE II - Métodos de Determinação dos Atributos de Deus


Os Atributos de Deus Em Geral


A. A Avaliação dos Termos Empregados.
B. Métodos de Determinação dos Atributos de Deus.
C. Sugestões Feitas Quanto às Divisões dos Atributos.


      Os teólogos escolásticos na tentativa de elaborar um sistema de teologia natural, abordaram três modos para determinar os atributos de Deus, são eles: Via Causalitatis, Negations e a via eminentiae.

       A via da casualidade está para uma compreensão superior a da que ronda a compreensão do mundo de um modo geral. Ela, destaca a ideia de casualidade como a causa primeira da criação, afirma ela, a suprema ideia de um Onipotente Criador. Devendo deixar de lado toda relação da observação de um governo moral para um contemplar de um Governante Poderoso e Sábio.

    A via da negação admite-se toda perfeição em Deus e nada para suas criaturas, neste caso o homem, pós queda. Neste princípio, afirma-se que Deus é independente, infinito, incorpóreo, imenso, imortal e incompreensível.

     Finalmente a via da eminência, atribuindo a Deus de forma mais eminente as perfeições relativas que descobrem-se nos homens. Segundo o princípio de que existe um efeito preexistente em sua causa, e ainda num sentido mais absoluto, em Deus como um ser Supremo. Método que apesar de atrair a atenção de muitos, segundo L.Berkhof, não é o método mais apropriado para a teologia dogmática. Pelo fato deste método tirar suas conclusões de Deus partindo da esfera do próprio homem, quando se deveria observar o princípio da Alto Revelação de Deus, Sua Palavra Inspirada. Não podendo conhecer o homem a Deus por sua própria ótica, o que, indubitavelmente não é um correto proceder teológico. Sua Divina Palavra, Única fonte do homem conhecer a Deus do modo correto.


Louis Berkhof - Teologia Sistemática, pg. 54 e 55. Os Atributos de Deus em Geral.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

A DOUTRINA DE DEUS - Avaliação dos Termos Empregados



Os Atributos de Deus em Geral

A. Avaliação dos Termos Empregados.
B. Métodos de Determinação dos Atributos de Deus.
C. Sugestões Feitas Quanto às Divisões dos Atributos.



  O vocábulo "atributo" segundo Louis Berkhof não é adequadamente para o uso, e isto pelo fato de dar luz ideia de transmitir o acréscimo ou a consignação de algo a alguém, isto seria o mesmo de se admitir a impressão de que algo pode ser acrescentado ao Ser de divino. ( O que é um absurdo se admitir o acréscimo ao que já é Perfeito em Seu Ser ).

   Louis Berkhof, sobre este assunto, afirma de maneira clara que o melhor termo a ser utilizado indubitavelmente é o vocábulo " propriedade ", sendo o melhor termo a ser utilizado no sentido de indicar algo que pertence ao próprio Deus e de Deus somente.

       Um detalhe a ser observado é que, o vocábulo " propriedade " requer a distinção entre a assência ou natureza de Deus e aquilo que lhe é próprio. De um modo geral, segundo a análise , é bem mais aplicável ainda, que se utilize o termo " perfeições " ou " virtudes " de Deus, com a observação de não fazer a ligação do termo " virtudes " ao simples emprego do que é simplesmente ético.

     Duas posições sobre o termo " atributo " deve ser consideradas, a saber: a) Que, a visão reformada admite, aceita e defende o termo " arete " que se traduz por " virtudes " ou " excelências " por ser o termo que a bíblia utiliza. ( 1 Pd. 2.9 ). b) Que, as virtudes de Deus não são adicionadas ao seu ser, mas antes, o Ser é o Pleroma de Suas virtudes e nestes se revela.

     Dessa forma, segundo a posição de Louis Berkhof, os atributos de Deus podem ser definidos como as perfeições que constituem predicados do Ser Divino na Escritura, ou que são visivelmente exercidos por ele em Suas obras de CRIAÇÃO, PROVIDÊNCIA E REDENÇÃO.

    Afirmadamente, quado se faz o uso do termo " atributo " se faz pelo simples fato do uso comum do termo, o que o fazendo, deve-se ter o claro intendimento de que se faça excluindo rigidamente a ideia de algo acrescentado ao Ser de Deus. Esta é a posição bíblica e a defesa dos reformadores quanto a este assunto.


Louis Berkhof - Teologia Sistemática, pg. 54. Os Atributos de Deus em Geral.


     

     

   



     


Evangelho reformado